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quinta-feira, 19 de março de 2015

Luneta de Ouro

Assim que a Nau de Guerra zarpou de Trivalia, Bernard começou a investigar o que teria saído da carroça, e depois de falar com muitos marinheiros obteve uma resposta. Fazia três dias que eles haviam zarpado e Bernard foi ver como estava o seu cachorro, que ele havia batizado de Dobberman. Entrou na ponte e desceu até o local onde armazenavam as cargas, lá dentro notou a presença de outro homem, que logo reconheceu como sendo o Sr.Minitop.

Minotop o viu se aproximar e perguntou: - O que você quer aqui em baixo seu idiota?
Bernard apontou para o cachorro que estava preso em uma jaula e disse: - Queria ver se meu cão estava bem. - Bernard notou que havia outra jaula ao lado, com outro cachorro muito pequeno, uma raça que Bernard jamais havia visto perto de Dobermann aquela coisinha parecia uma formiga. Por curiosidade Bernard perguntou: - O que é isso?
- Isso é um cachorro, é o que dizem, mas pelo trabalho que tem me dado, acredito que possa ser uma criação do demônio Ifrit. -  Minotop fez uma careta e continuou: - Ele é um presente para o Governador de Massau, vocês fizeram a proteção da carroça certo?
- Sim. - Respondeu Bernard já entendendo o que se passava.
- Então, ele era o que precisava de proteção. - Minotop soltou uma gargalhada e continuou: - Aposto que os ladrões nem sabiam o que era a carga.
- Não acredito que tantos homens morreram por causa desta criaturinha. - Bernard olhou com desgosto para o pequeno animal.
- Morreram pela marinha, não culpe o animal. Você acha que não vai morrer mais gente nesta expedição? Dizem que vamos ter um item que será capaz de nos deixar a frente dos piratas no domínio do mar. - Minotop pega um pedaço de carne e joga para Dobermann. - Mas não duvido que possa ser alguma outra idiotice dos governantes.
Bernard vira as costas e começa a sair, mas antes diz para Minotop: - Obrigado senhor, obrigado por me abrir os olhos.
Não tem de que marujo. - Responde Minotop.

Duas longas semanas se passaram desde que a Nau de Guerra havia zarpado de Trivalia, Bernard e o pensamento da morte de Jhon por causa de um capricho do governador o fez nutrir uma raiva pelo governante, pela marinha e pela sociedade aristocrática no geral. Os piratas estariam tão errados assim em roubar daqueles malditos homens de peruca? Enquanto estava perdido em seus pensamentos e rodando a lamina (que fora encontrada em seu corpo quando criança) entre os dedos matando seu tempo antes de dormir, pois seu turno havia acabado Bernard escutou três homens conversando e prestou atenção em algo que achava ter escutado a palavra tesouro. Se tinha algo que Bernard gostava mais do que ruivas, cerveja e seu cachimbo era dinheiro para ter ruivas, cerveja e tabaco para seu cachimbo.

- É sério encontrei essa pintura no quarto do Almirante enquanto eu limpava o lugar, estava dentro de um baú trancado, o homem esta muito doente, não vai sobreviver, logo poderemos ficar com isso. Cochichava um dos homens com mais dois, os ruídos que produziam eram quase inaudíveis, se não fosse pelos ouvidos treinados de Bernard. Que colocou as mãos nas pistolas que sempre carregava e se moveu na direção do grupo
- Boa noite senhores! - Sacou as pistolas e apontou para os dois que estava nas laterais e continuou: - Do que estavam falando? - Sorriu.
- Nada não senhor, eu juro. - Disse o homem que estava com a pintura.
Bernard guardou uma de suas pistolas e sacou rapidamente a sua adaga e a colocou na garganta do homem enquanto empurrava seu corpo em direção ao mar, fazendo seu apoio ser apenas a amurada. O homem da esquerda ameaçou correr, porem Bernard apontou sua pistola para o mesmo e disse: - Se correrem ou gritarem eu mato um por um e alego traição, agora me mostra essa pintura.
- Tudo bem, mas tira essa faca da minha garganta. - Disse o homem em tom baixo, mas com o desespero visível em seu rosto.
Bernard guardou sua adaga, mas continuou com a mão nas pistolas.
O homem mostrou para Bernard a pintara. Era um tecido onde estava pintada uma luneta em um tom amarelo brilhante, provavelmente ouro.
- O que esta acontecendo ai? - Alguém pergunta do outro lado do convés.
Bernard larga o homem da pintura e diz sussurrando: - Vejo você em dez minutos lá com as cargas, se você não estiver lá, vou imediatamente falar com o capitão sobre sua descoberta, entendido? - Falou entre dentes e virou-se em direção a voz que tinha ouvido.

O Mandrião Bob estava olhando desconfiado para Bernard, estava escuro no convés e é bem provável que Bob não tenha conseguido enxergar que Bernard havia ameaçado os companheiros, ao se aproximar Bob fala:
- O que esta fazendo aqui fora ainda, seu turno já acabou. - Fala em um tom de autoridade
- O que já acabou? - Bernard finge não entender. - Malditos garotos, vivem me enganando, me falaram que teria que fazer turno dobrado esta noite. - Faz uma cara de desgosto.
- Seu velho idiota, só eu que posso alterar turnos, agora vá para o dormitório, antes que eu coloque você a trabalhar de verdade.
- Ok senhor me desculpe. - Diz Bernard enquanto se dirige até os dormitórios.

Bernard procura por Charles entre os que estão dormindo e o encontra babando em sua rede. Bernard cutuca o homem sem muito efeito, então da um tapa na cara de Charles que se levanta em um pulo falando:
- Estou pronto senhor! - Olha com os olhos semicerrados para Bernard que esta contendo o riso e pergunta: - Bernard, porque você fez isso? - Fala enquanto coloca a mão no rosto.
- Pra acordar você, preciso de ajuda em uma coisa. - Fala Bernard olhando para os lados.
- Não enlouqueça homem, meu turno começa daqui a pouco, deixe-me dormir mais um pouco. - E deitou-se na rede.
Bernard agachou-se a seu lado e disse: - Envolve dinheiro, muito dinheiro.
Charles olhou com uma expressão de espanto e disse: - Olha sei que você é um aventureiro, mas eu sou só um velho, deixe-me dormir, quero cumprir com minhas obrigações para não acabar Jhon, porque o fim dele se deu por ser aventureiro.
Bernard serrou os punhos com força, travou os dentes e disse: - Ele morreu por seguir as ordens, coisa que você não fez seu covarde.
Charles fechou os olhos e disse: - Mais vale um covarde vivo do que um aventureiro morto.
Bernard levantou-se chutou a rede de Charles que caiu feito um saco de batatas no chão e saiu dos dormitórios enquanto escutava os gemidos de dor de Charles, ele sobreviveria.

Chegando ao compartimento de carga, Bernard notou que só um dos homens estava lá, podia ser uma armadilha então já colocou suas mãos nas pistolas, pronto para saca-las a qualquer movimento estranho.
O homem suava frio e Bernard notou isso. Chegou perto do homem e falou: - E então me explique a historia toda.
O homem engoliu em seco e foi logo dizendo: - Bom eu estava limpando o quarto do almirante e encontrei uma urna chaveada. Pude notar que a chave estava na cabeceira da cama, pendurada por uma argola, ele estava dormindo na cama desde que eu entrara pelo que havia me falado ele estava doente, então não era para incomoda-lo. Esgueirei-me, pé por pé e peguei a chave com todo cuidado. Sucesso até então. - O homem fez uma pausa, respirou fundo e continuou: - Então abri a urna e encontrei essa pintura. - E a entregou a Bernard. - Os homens disseram no navio que estávamos procurando um artefato magico, que essa é a expedição, então imagino que seja isso que esta pintado.
Bernard riu e disse: - Magico, você acredita em magia seu idiota, a magia é restrita aos deuses, você sabe disso. - E entregou o tecido novamente ao homem.
O homem pegou a pintura e disse: - Pode até ser, mas se a luneta for realmente de ouro, deve valer muito dinheiro.
- Pode até ser, mas toque fora essa pintura, isso pode denunciar seus planos, vou pensar em uma forma de conseguirmos ficar com a luneta, enquanto isso não podemos ser... - Um barulho vindo de cima. - Bernard puxou a pistola e colocou na garganta do homem e perguntou: - Você armou pra mim seu idiota, quem esta descendo?
O homem tentando falar o mais calmo possível apenas respondeu: - Não, não eu juro, não chamei mais ninguém.
Bernard removeu a pistola, apagou o lampião que estava acesso e falou baixo: - Não mova um músculo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Preparativos


Bernard e Charles pegaram no corpo de Jhon as  3 moedas que o menino havia recebido no ato do alistamento pouco antes do corpo ser queimado. Charles ainda envergonhado por ter fugido não disse nada e Bernard apenas afirmou para deixar claro sua ação: - Vamos levar isso para a mãe de Jhon. - Fechou a cara novamente e virou as costas para preparar as coisas para partir.

O caminho de volta foi tranquilo, o silencio quase absoluto pairava o local e as únicas vozes ouvidas eram as ordens dos Sargentos que gritavam mandando os homens acelerarem o passo. O rosto dos soldados mostrava uma clara tristeza. Bernard sabia que aquilo significaria muitas deserções e pensou seriamente em desertar também, porem já havia vendido sua casa e não aguentaria viver mais tempo naquele local.

Quando chegaram a Trivalia o sol estava a pico e Bernard apesar de cansado e com fome não perdeu tempo e foi direto até Thurco. Enquanto aproximava-se da barraca notou uma mulher na casa dos 30 anos olhando as pessoas chegarem e achou ela estranhamente semelhante. Parou sua caminhada quando entendeu finalmente a semelhança e começou a dirigir-se até a mulher.

Ela olhou para ele desconfiada quando ele aproximou-se e disse: - Você viu meu filho Jhon, quero matar aquele peste, ele tem quase a sua altura e nenhuma barba no rosto, imagina meu pequeno Jhon sendo um marinheiro. - Soltou uma gargalhada. - Logo ele que não tem nada na cabeça e... - Foi quando ela notou a tristeza no rosto de Bernard. - O que foi aconteceu algo moço? - Perguntou agora séria.
Bernard respirou fundo e disse com cuidado para não parecer um iceberg: - Meus pêsames senhora, infelizmente seu filho foi... - Bernard parou quando a mulher já fazia sinal para começar a chorar, porem alguém tinha que falar, então reuniu forças e continuou. - Seu filho foi morto em batalha, eu sinto muito.
A mulher começou a chorar enquanto batia no peito de Bernard e gritava: - Vocês o mataram seus monstros! Primeiro meu pai! Depois meu marido! Agora meu filho! Seus Moooonstrooos! - E caiu de joelhos a chorar.
Pouco tempo depois um garoto correu até o local e falou: - Mamãe o que aconteceu? - Mas a mulher nada respondeu.
Bernard aproveitou a situação, puxou o menino pelo braço, lhe entregou as 3 moedas e disse: - Olhe garoto, você precisa ser forte, tem que cuidar da sua mãe e protegê-la, entendeu? - E olhou para o menino com cara séria, que sem entender direito fez que sim com a cabeça. - Essas moedas são pra vocês, agora leve sua mãe daqui. - Deu dois tapinhas nas costas do menino e continuou sem caminho até a barraca de Thurco após um suspiro longo.

Thurco o viu aproximar-se enquanto abria sua barraca e logo disse: - Olha meu amigo, infelizmente um dos cachorros morreu na viagem, pode ser apenas um? - Provavelmente ainda sem intender o interesse nos animais.
Bernard ainda pensando na estória da pobre mulher responde apenas com um: - Sem problema. - E força um sorriso.
Thurco entra na barraca, pega um saquinho, o pesa na frente de Bernard e entrega-lhe junto a uma corda no qual a outra posta esta amarrado um Dogue Alemão de mais ou menos 80 centímetros de altura.
Bernard olha para o cachorro com os olhos arregalados e diz: - Eu pedi um cachorro e não um cavalo.
Thurco da uma risada e diz: Mais alguma coisa pra você meu amigo?
Bernard puxa uma folha do bolso e entrega para Thurco e diz: Preciso dos itens desta lista para a minha viagem.
Thurco pega a lista, retira de um bolso do seu casaco um monóculo e começa a ler: - Bussola, Pederneira Isqueiro, Mapa de Elys... - Thurco da uma risada e continua. - Mapa de Elysia, onde acha que vou conseguir isso? O máximo que posso conseguir é o mapa do 5º circulo. - Bernard olha para baixo e faz sinal de sim com a cabeça e Thurco continua: - Cantil, Saco, Saco de Dormir, Mochila Grande, Saco de Pólvora Negra, Saco de Balas, Luneta e 20 metros de corda de seda.
Bernard sorri e diz: - Suponho que você tenha todos os itens, com exceção do Mapa de Elysia correto?
Thurco sorri e diz: - Sim, vão te custar vinte peças de prata e aquele cachorro que eu estava te devendo.
Bernard perde o sorriso larga o saco de moedas na bancada e puxa de seu alforje as 3 do pagamento da marinha e diz: - Espero que os itens estejam em boas condições.
Thurco solta uma gargalhada e diz: - Na barraca do Grande Osmar Thurco só do bom e do melhor!

Depois de pegar todos os itens, Bernard segue com seu cachorro até o navio que já começava a abarrotar de gente, na sua vez de entrar pergunta a um marinheiro que estava no local: - Sabe me dizer onde posso largar o meu cão? É um cão de caça pode ser útil na expedição.
O marinheiro olha com uma cara estranha para o cachorro e diz: - Fala com o Minotop ele é o responsável pelo porão. - E apontou para um homem velho que estava escorado na porta comendo uma maçã.

Bernard aproximou-se do senhor e disse: Sr. Minotop é isso?
O homem fez um grunhido e fez com que sim com a cabeça.
Bernard entregou a corda do cachorro e junto com a mesma uma moeda de prata para o homem e disse com um sorriso nos lábios: - O senhor pode guardar meu cão em um local seguro?
O velho sorriu e disse: - Claro que sim marinheiro, afinal é pra isso que eu sirvo, pegou a corda do cão e o conduziu para dentro da cabine.

Bernard virou e caminhou em direção ao parapeito, olhou em direção ao mar e notou que Charles estava se aproximando.
Charles sorriu brevemente e disse: - Então vamos ser marinheiros, é parece que vai ser divertido.
Bernard manteve a vista para a cidade que passou os últimos cinco anos e responde: - É parece que vai ser divertido sim.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Dama, Governador ou Cachorro?


Depois de cinco horas de caminhada quase sem pausas Bernard e o resto do seu destacamento chegam ao destino, uma carroça de conteúdo desconhecido pelos homens.

- Charles não acredito que toda essa merda de correria foi por causa de uma carroça, o que eles carregam ai dentro? Ouro? -  Pergunta Jhon para Charles. 
Charles olha  pra Jhon, cutuca Bernard e diz: - Pobre garoto achou que ia fazer o que? Encontrar ladrões matar alguns e virar general? - Fala soltando uma gargalhada. 
Bernard com todo o mau humor de cinco horas andando com botas apertadas responde apenas: - Almirante, você quis dizer! Não existe General na marinha. - Responde e dá uma cuspida no chão lamacento.
- A você me entendeu! - Retruca Charles. 

Charles era um senhor de idade já, estava na casa dos 40 anos, seus motivos para entrar na expedição segundo o mesmo eram: - Morrer com um pouco mais de dignidade e deixar algum dinheiro para os filhos. Já Jhon era um garoto na casa dos 17 anos que mentiu sua idade para poder se alistar, seus motivos reais eram desconhecidos, mas ele garantia que queria deitar-se com todas as mulheres possíveis até sua morte. Bernard resolveu se aproximar dos dois por puro interesse, sabia que se ter amigos na tripulação poderia ser útil, afinal em uma situação de batalha os amigos são os primeiros a serem protegidos. 

- Pessoal vamos montar acampamento aqui, portanto quem não for ficar na guarda, descansem bem, pois antes do sol nascer iremos retornar, e com mais velocidade dessa vez seus molengas! - Urrava o Tenente Thomas Carvalhal.

O grupo fez uma fogueira, um grupo de cinco homens foi incumbido de sair para caçar enquanto o resto montava as barracas em volta da grande fogueira. A carroça ficava no meio do acampamento e era protegida por dois sargentos e cinco soldados que já estavam na marinha antes da chegada até Trivalia.

Durante a noite os homens enquanto comiam começaram a apostar em o que estaria dentro daquela carroça, alguns diziam ser a filha do governador, outros que seria o próprio governador e alguns juravam ter escutado latidos dentro da carroça enquanto montavam o acampamento. Logo depois de comer Bernard, Jhon, Charles, Bartolomeu e Michael ficaram incumbidos de vigiar o lado esquerdo do acampamento pelas próximas 2 horas, depois poderiam dormir que outro grupo pegaria seu lugar.

Michael por ironia do destino era o nome do troglodita que barrou a passagem de Bernard no dia das inscrições e o mesmo não olhava com bons olhos para Bernard e Bartolomeu era o loiro com cara de pirata que tinha avisado mais cedo que o Capitão Jhon Sates estava reunindo os homens. 

A primeira hora foi tranquila, porem enquanto Bernard, Jhon e Charles riam incontrolavelmente de uma piada contada por Charles, Bartolomeu aproxima-se do grupo e diz:
- Escutei algo na floresta, acho melhor avisar alguém e... - Foi quando Michael interrompeu.
- Que chamar alguém o que, ta com medo é franguinha? - Mal conseguiu terminar a frase e caiu de joelhos com sangue saindo da sua boca. 
Uma saraivada de flechas na direção do grupo que por sorte não atingiu ninguém além de Michael, talvez por estar em pé de costas para a floresta.  

Charles gritou assim que entendeu o que estava acontecendo: - Estamos sendo atacados! - E correu para procurar abrigo. 
Bernard atirou com seu mosquete na direção das arvores, tivera a impressão que as flechas foram disparadas de cima e afinal seria o que ele teria feito, pois teria a cobertura das folhas para esconder-se. Um corpo caiu. 
Bartolomeu escondeu-se atrás de um troco o qual estavam sentados e atirou na mesma direção derrubando mais um dos atacantes. 
Jhon em pânico deitou-se no chão e ficou gritando: - Que Kinph me ajude! Que Kinph me ajude!

Umas sete flechas perfuraram o tronco o qual Bartolomeu e Bernard estavam recarregando seus mosquetes e foi quando um grupo de uns 30 soldados avançou em direção a floresta, Bernard começou a berrar:
- Não avancem seus idiotas, estão fazendo exatamente o que eles querem. - E como resposta só foi possível escutar uma explosão e urros de dor vindo da direção e depois muitos passos na direção do acampamento. 

Os mosquetes estavam prontos, Bartolomeu e Bernard olharam para a confusão, vários marinheiros voltavam correndo, alguns sem braços, outros sem pernas, alguns se arrastando e outros sendo arrastados, todos foram abatidos por flechas que vinham das arvores. Mais dois tiros e novamente mais dois corpos. Neste momento mais um destacamento de soldados se aproximou dos dois atiradores, porem estes pararam com seus mosquetes prontos, apontaram para a direção da floresta e abriram fogo. Mais um grupo de inimigos abatidos, porem agora cascos de cavalos podiam ser ouvidos. 

Quinze cavaleiros irromperam da floresta enquanto o destacamento ainda carregava seus mosquetes, Bartolomeu e Bernard já estavam prontos para o próximo tiro. Bernard gritou:
- Atira nos cavalos da frente vamos tentar derrubar os outros com a queda dos abatidos! - E abriu fogo. 

Os dois cavaleiros que vinham na frente caíram derrubando mais quatro que vinham atrás e na confusão como um estalo em sua cabeça, Bernard se lembrou de Jhon na frente do tronco ele seria pisoteado. Bernard em um estalo levantou-se e agarrou os ombros de Jhon e puxou com força, neste momento sentiu que algo fez força contraria, ao olhar notou o que teria feito força, os cascos do cavalo de um atacante em cima da perna esquerda de Jhon, e por puro reflexo Bernard esquivou-se da espada que zuniu em direção a sua cabeça na passada do cavaleiro. Bernard correu até uma barraca e largou Jhon inconsciente lá, sacou seu sabre e ficou defendendo o local. 

Cinco baixas depois e um talho no braço esquerdo e a batalha estava acabada, a Marinha havia ganhado, os gritos dos feridos podiam ser ouvidos a quilômetros. Charles aproximou-se de Bernard que entrava na barraca onde estava Jhon enquanto gritava:
- Chame um médico aqui, urgente! - Porem Bernard sabia que já era  tarde de mais, a perna estava dilacerada, o sangramento seria imparável.  
Jhon estava acordado e respirando com dificuldades e murmurava algo. Bernard aproximou se para ouvir o que o garoto falava: 
- Não acredito que vou morrer virgem por causa de um cachorro. Se for um cachorro eu quero mais é que aquele navio queime!
Bernard com tristeza no coração soltou um sorriso forçado e disse: Não se preocupe amigo, você vai comer muita mulher nos salões de Orenon, afinal de contas, você é um marinheiro! - Disse e apertou a mão já sem vida do amigo. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Uma viajem inesperada


Depois de arrumar suas coisas ou pelo menos as que mais importavam, Bernard saiu do local onde passou a maior parte dos últimos 5 anos e olhou em direção ao mar, o lugar onde passaria o resto de sua vida se Montevat assim permitisse. Depois de 15 minutos escorado na porta olhando em direção ao mar para ver o mais magnifico espetáculo do mundo, A tocha magnifica que Kinph "O Primordial" presentou a humanidade sendo ascendida nos limites do Oceano Desconhecido e depois do Fim do Mundo pelo portador da mesma, o Gigante Mimith, que neste momento acorda do seu sono e ascende a Sol.

- Um grande espetáculo para um grande dia. - Disse para si mesmo Bernard, antes de entrar em casa tomar o resto de sua cerveja, guardar seu caneco da sorte na mochila e trancar a porta de sua modesta residência.

Depois de uma caminhada de uma hora até o centro de Trivalia Bernard já começa a avistar o mercado, abarrotado de gente como de costume, mas a barraca que interessava era a pior, a mais movimentada, afinal de contas era do Grande Osmar Thurco o homem mais rico de Trivalia.

Bernard esperou pacientemente na fila até que chegasse sua vez, sabia que não queria chegar até Thurco com uma má impressão, negócios necessitam de imagem. Quando chegou sua vez, Bernard foi direto ao assunto:
- Bom dia, Sr. Thurco, tenho uma proposta irrecusável para o senhor! - Dizia tentando conter o nervosismo, afinal sabia que o homem era o melhor negociante da cidade. 
Thurco empurrava para dentro de sua tenda uma caixa de especiarias que a pouco havia comprado, vira-se para Bernard e com um sorriso responde: - Bom dia, pescador, não vá me dizer que pescou uma sereia. - Respondeu com uma risada. 
- Muito melhor que isso, tenho uma propriedade à venda e não vejo ninguém melhor para compra-la do que o senhor. 
Thurco olha com uma cara de não muito interesse e diz: - Aquele seu casebre no mar, o que diabos eu faria com aquilo? 
- Bom, até onde eu sei o senhor é o melhor negociante de Trivalia, aposto que vai conseguir vender por um preço razoável, afinal de contas quero apenas 20 moedas de prata senhor. - No mesmo momento que Bernard da seu preço, Thurco arregala os olhos e vai reclamar, então Bernard usa de uma famosa técnica de barganha, chocar! -E dois cachorros é claro, não posso esquecer-me, e nem me venha com vira-latas, quero cães de raça! - Diz batendo com o punho na mesa. 
Thurco faz uma cara de interrogação e diz: - Posso pagar no máximo 17 moedas e os cachorros só para amanhã, estão vindo em um carregamento da cidade de Palomene.
- Tudo bem então, negócio fechado, mas não me venha com cães pequenos, quero um cão de caça! - Diz Bernard enquanto aperta a mão de um Thurco com cara de estranheza e logo depois vai em direção à taberna. 

Bernard chega até a Taberna Lobo do Mar e vê que um pequeno grupo se reúne próximo a mesma. Enquanto olha desconfiado para o grupo, é tocado no ombro por um homem loiro e com uma tremenda cara de Pirata, um desconhecido, Trivalia não era uma cidade grande e com certeza um Loiro não passaria despercebido pelos olhos analíticos de Bernard.
- O Capitão esta chamando todos que se inscreveram ontem para passar um comunicado. - Disse e logo depois aponta para a pilha cada vez mais crescente de homens ao lado da Taberna. 
- Obrigado. - Diz Bernard para o estranho, com um sorriso rápido.

Chegando ao local, o Capitão Jhon Sates esta passando algumas informações e pergunta ao grupo:
- Vocês sabem me dizer se o caminho de Junops até aqui é tranquilo? - Fala enquanto olha pra multidão, sempre com um ar de superioridade no rosto. 
Bernard levanta a mão e diz: - Bom, existe alguns grupos de bandidos que atacam pela rota principal senhor, acho que seria interessante fazer uma rota alternativa, se for o caso de trazer algo de lá ou enviar. 
O Capitão com uma risadinha responde: - Ou posso mandar vocês fazerem a escolta, é uma boa para já irem pegando os costumes. - Assim que termina a frase, o mesmo fica sério e continua. - Preparem-se para sair na primeira hora da tarde, passem com o Tenente Thomas para pegar seu fardamento, comam alguma coisa, despeçam-se de quem vocês amam e estejam prontos! - Disse antes de virar as costas e sair em direção à taberna.

Bernard olha para um colega ao seu lado e diz: - É e lá se vai a "Grande Aventura"!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A Aventura Começa


 Bernard chega ao centro de Trivalia vende seu pescado do dia, e escuta alguns comentários no centro da cidade.

- Você viu que a marinha esta recolhendo voluntários para servir? Dizem que estão pagando 3 peças de prata na hora da inscrição. Se não tivesse essa maldita hérnia nas costas e três filhas eu com certeza ia! - Dizia um senhor de uns 45 anos para outro de mesma idade aparente.

 Chegando à Taberna Lobo do Mar notou uma fila de uns 40 homens, que pelos seus cálculos, levaria umas 5 horas para chegar dentro da taberna. Como esperar não era seu forte, Bernard caminha em direção à porta da taberna e tenta entrar, porem é barrado por um brutamontes que estava esperando na porta!
- Ei, o que você pensa que ta fazendo? - Diz o homem cuspindo enquanto fala.
- Só vou beber isso é fila pra beber? - Bernard estava desarmado, poderia acabar com o homem, mas se ele tivesse amigos, desarmado não iria conseguir conte-los.
- Fim da fila! - Disse o troglodita.

 Bernard deu as costas ao brutamontes, contornou a  taberna e encontrou uma janela aberta e a pulou. Notando o olhar de espanto das pessoas a sua volta, foi até o balcão e pediu uma caneca de cerveja depois de tomar meio caneco, foi até o homem que estava pegando assinaturas e perguntou:
- Desculpe interromper, mas... - Fez uma pausa enquanto fazia um gesto com a cabeça em direção a fila. - O que é essa fila?

 O homem com cara de desdém olha para Bernard de cima a baixo, nota suas roupas de pescador e com certeza não pode deixar de sentir o fedor horrível de peixe, mas, com uma cara feia ele responde:
- Estamos recrutando voluntários para servir a Marinha de Maiuma, em uma expedição patrocinada. Pagamos no ato da inscrição 3 peças de prata para todo corajoso homem que juntar-se a nós. - Disse o homem com um sorriso falso de deboche!
- Huum, muito interessante. - Disse Bernard dando mais uma golada em sua cerveja. - Posso assinar agora, é que tenho alguns compromissos a fazer, e voltar outra hora vai ser bem impossível. - Não custava arriscar, além de passar na frente do brutamontes que neste momento estava a 3 lugares de sua vez olhando com uma cara de raiva, Bernard poderia começar a prepara sua viajem com alguma antecedência.

O homem, pelo que Bernard pode entender por suas divisas na farda era Capitão, olhou para o outro homem mais velho que estava em pé e pelas divisas parecia ser Almirante. Este responde apenas com um longo suspiro, fez sinal de sim com a cabeça e falou:
 - Deixe-o assinar, e depois o próximo da lista, o resto pode ir embora, continuamos amanhã pela manhã!
 - Senhor quando partimos? - Disse Bernard olhando para o Almirante e falando com uma entonação na ultima palavra para tentar mostrar entusiasmo.
- Em três dias marinheiro. - Disse o Capitão com uma visível indignação. Mas esteja aqui amanhã pela manhã para pegar o uniforme.

Os homens ainda se dispersavam e enquanto resmungavam Bernard assinava o papel, pegava suas 3 moedas dava uma ultima golada em sua cerveja e saia pelo mesmo lugar que entrará.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A História de Bernard Dawkins



A primeira lembrança de Bernard Dawkins é uma porta se abrindo, com a visão ainda turva conseguiu discernir a imagem de um homem de meia idade com vestes brancas olhando para ele. Seu corpo todo doía, ele tentou levantar-se sem sucesso, sentia apenas dor em seu corpo e nada mais. Apagou novamente.

Sem saber como chegou ao Mosteiro de Montevat, Bernard foi cuidado pelos clérigos do local da melhor forma possível, foi-lhe informado que seus braços e pernas estava quebrados, e ele tinha diversas perfurações no seu corpo, inclusive em uma delas jazia uma lamina quebrada.

Enquanto se recuperava tinha lições todos os dias, aprendeu sobre os deuses, política, estratégias, táticas de batalha e além disso aprendeu a ler, e a escrever com sua mão esquerda (por ser o braço que melhorou primeiro), mas depois de algum tempo descobriu que fazia as coisas com a mão direita de forma igual se não melhor que com a esquerda. Não sabendo o porque de todos estes ensinamentos, Bernard aprendia sem questionar, até mesmo como uma forma de gratidão por estarem cuidando dele.
Depois de quase dois anos de recuperação e ainda sem nenhuma lembrança de seu passado, Bernard, que aparentava estar na adolescência quando foi encontrado, definiu para si a idade de 15 anos. Os clérigos a cada dia mais estranhos ao ver de Bernard ensinavam agora diversas artes de luta, das quais a esgrima foi a que mais ele se identificou.

Quando completou 18 anos e depois de um intenso treinamento físico e psicológico, Bernard descobriu que na verdade os clérigos do mosteiro eram uma sociedade de assassinos em prol da justiça de Elysia, chamados Assassinos de Montevat.

Mais 2 anos de incursão em estudos sobre as leis de Montevat e Bernard estava pronto para sua primeira missão: infiltrar-se no navio pirata Serpente Bêbada e descobrir para qual reino estavam transportando armas de pólvora em grande escala e com isso removendo o equilíbrio de Elysia no quesito Guerra.

Passou 5 anos no navio aprendendo a ser marinheiro e também se aventurando a atirar com as mortais armas de pólvora, ganhando a confiança do Capitão Madson "O Temível" e sua tripulação, aprendeu sobre o código dos piratas e o do porque se deve confiar apenas em seus companheiros. Mas quando Bernard descobriu quem deveria assassinar para cumprir sua missão, notou que estava em uma encruzilhada.

Em uma noite de bebedeira Bernard descobriu para quem eles estavam transportando as armas de pólvora, para o Duque Madson M. Juntorain ou melhor dizendo Capitão Madson “O Temível”. Um homem que salvará sua vida diversas vezes, que o aprimorou tudo que ele achava que sabia e que o ensinou o verdadeiro valor do companheirismo. Com esse impasse em mãos, Bernard resolveu desembarcar do Navio Serpente Bebada e viver em desonra em alguma cidade pacata, trairia os Assassinos de Montevat mas não trairia o seu Capitão. Com pesar no coração fixou-se na cidade de Trivalia, com o dinheiro que sobrou de seu tempo no mar, comprou uma pequena casa na praia, e viveu na cidade 5 longos anos.

Porem cansado da vida de pescador e com a consciência um pouco mais limpa, afinal não ficou sabendo de nenhuma guerra que tenha estourado por causa da falha de sua missão, Bernard resolveu voltar a ativa, navegar é sua vida e uma Nau de Guerra aproxima-se da cidade.

"O que eles querem? Bom, vou descobrir afinal, sinto o cheiro de aventura!"
Bernard Dawkins apresentando-se para o serviço! (30 anos)