Depois de cinco horas de caminhada quase sem
pausas Bernard e o resto do seu destacamento chegam ao destino, uma carroça de
conteúdo desconhecido pelos homens.
- Charles não acredito que toda essa merda de
correria foi por causa de uma carroça, o que eles carregam ai dentro? Ouro?
- Pergunta Jhon para Charles.
Charles olha pra Jhon, cutuca Bernard e
diz: - Pobre garoto achou que ia fazer o que? Encontrar ladrões matar alguns e
virar general? - Fala soltando uma gargalhada.
Bernard com todo o mau humor de cinco horas
andando com botas apertadas responde apenas: - Almirante, você quis dizer! Não
existe General na marinha. - Responde e dá uma cuspida no chão lamacento.
- A você me entendeu! - Retruca Charles.
Charles era um senhor de idade já, estava na casa
dos 40 anos, seus motivos para entrar na expedição segundo o mesmo eram: -
Morrer com um pouco mais de dignidade e deixar algum dinheiro para os filhos.
Já Jhon era um garoto na casa dos 17 anos que mentiu sua idade para poder se
alistar, seus motivos reais eram desconhecidos, mas ele garantia que queria
deitar-se com todas as mulheres possíveis até sua morte. Bernard resolveu se
aproximar dos dois por puro interesse, sabia que se ter amigos na tripulação
poderia ser útil, afinal em uma situação de batalha os amigos são os primeiros
a serem protegidos.
- Pessoal vamos montar acampamento aqui, portanto
quem não for ficar na guarda, descansem bem, pois antes do sol nascer iremos
retornar, e com mais velocidade dessa vez seus molengas! - Urrava o Tenente
Thomas Carvalhal.
O grupo fez uma fogueira, um grupo de cinco
homens foi incumbido de sair para caçar enquanto o resto montava as barracas em
volta da grande fogueira. A carroça ficava no meio do acampamento e era
protegida por dois sargentos e cinco soldados que já estavam na marinha antes
da chegada até Trivalia.
Durante a noite os homens enquanto comiam
começaram a apostar em o que estaria dentro daquela carroça, alguns diziam ser
a filha do governador, outros que seria o próprio governador e alguns juravam
ter escutado latidos dentro da carroça enquanto montavam o acampamento. Logo
depois de comer Bernard, Jhon, Charles, Bartolomeu e Michael ficaram incumbidos
de vigiar o lado esquerdo do acampamento pelas próximas 2 horas, depois
poderiam dormir que outro grupo pegaria seu lugar.
Michael por ironia do destino era o nome do
troglodita que barrou a passagem de Bernard no dia das inscrições e o mesmo não
olhava com bons olhos para Bernard e Bartolomeu era o loiro com cara de pirata
que tinha avisado mais cedo que o Capitão Jhon Sates estava reunindo os
homens.
A primeira hora foi tranquila, porem enquanto
Bernard, Jhon e Charles riam incontrolavelmente de uma piada contada por
Charles, Bartolomeu aproxima-se do grupo e diz:
- Escutei algo na floresta, acho melhor avisar
alguém e... - Foi quando Michael interrompeu.
- Que chamar alguém o que, ta com medo é
franguinha? - Mal conseguiu terminar a frase e caiu de joelhos com sangue
saindo da sua boca.
Uma saraivada de flechas na direção do grupo que
por sorte não atingiu ninguém além de Michael, talvez por estar em pé de costas
para a floresta.
Charles gritou assim que entendeu o que estava
acontecendo: - Estamos sendo atacados! - E correu para procurar abrigo.
Bernard atirou com seu mosquete na direção das
arvores, tivera a impressão que as flechas foram disparadas de cima e afinal
seria o que ele teria feito, pois teria a cobertura das folhas para
esconder-se. Um corpo caiu.
Bartolomeu escondeu-se atrás de um troco o qual
estavam sentados e atirou na mesma direção derrubando mais um dos
atacantes.
Jhon em pânico deitou-se no chão e ficou
gritando: - Que Kinph me ajude! Que Kinph me ajude!
Umas sete flechas perfuraram o tronco o qual
Bartolomeu e Bernard estavam recarregando seus mosquetes e foi quando um grupo
de uns 30 soldados avançou em direção a floresta, Bernard começou a berrar:
- Não avancem seus idiotas, estão fazendo
exatamente o que eles querem. - E como resposta só foi possível escutar uma
explosão e urros de dor vindo da direção e depois muitos passos na direção do
acampamento.
Os mosquetes estavam prontos, Bartolomeu e
Bernard olharam para a confusão, vários marinheiros voltavam correndo, alguns
sem braços, outros sem pernas, alguns se arrastando e outros sendo arrastados,
todos foram abatidos por flechas que vinham das arvores. Mais dois tiros e
novamente mais dois corpos. Neste momento mais um destacamento de soldados se
aproximou dos dois atiradores, porem estes pararam com seus mosquetes prontos,
apontaram para a direção da floresta e abriram fogo. Mais um grupo de inimigos
abatidos, porem agora cascos de cavalos podiam ser ouvidos.
Quinze cavaleiros irromperam da floresta enquanto
o destacamento ainda carregava seus mosquetes, Bartolomeu e Bernard já estavam
prontos para o próximo tiro. Bernard gritou:
- Atira nos cavalos da frente vamos tentar
derrubar os outros com a queda dos abatidos! - E abriu fogo.
Os dois cavaleiros que vinham na frente caíram
derrubando mais quatro que vinham atrás e na confusão como um estalo em sua
cabeça, Bernard se lembrou de Jhon na frente do tronco ele seria pisoteado.
Bernard em um estalo levantou-se e agarrou os ombros de Jhon e puxou com força,
neste momento sentiu que algo fez força contraria, ao olhar notou o que teria
feito força, os cascos do cavalo de um atacante em cima da perna esquerda de
Jhon, e por puro reflexo Bernard esquivou-se da espada que zuniu em direção a
sua cabeça na passada do cavaleiro. Bernard correu até uma barraca e largou
Jhon inconsciente lá, sacou seu sabre e ficou defendendo o local.
Cinco baixas depois e um talho no braço esquerdo
e a batalha estava acabada, a Marinha havia ganhado, os gritos dos feridos
podiam ser ouvidos a quilômetros. Charles aproximou-se de Bernard que entrava
na barraca onde estava Jhon enquanto gritava:
- Chame um médico aqui, urgente! - Porem Bernard
sabia que já era tarde de mais, a perna estava dilacerada, o sangramento
seria imparável.
Jhon estava acordado e respirando com
dificuldades e murmurava algo. Bernard aproximou se para ouvir o que o garoto
falava:
- Não acredito que vou morrer virgem por causa de
um cachorro. Se for um cachorro eu quero mais é que aquele navio queime!
Bernard com tristeza no coração soltou um sorriso
forçado e disse: Não se preocupe amigo, você vai comer muita mulher nos salões
de Orenon, afinal de contas, você é um marinheiro! - Disse e apertou a mão já
sem vida do amigo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário