quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Dama, Governador ou Cachorro?


Depois de cinco horas de caminhada quase sem pausas Bernard e o resto do seu destacamento chegam ao destino, uma carroça de conteúdo desconhecido pelos homens.

- Charles não acredito que toda essa merda de correria foi por causa de uma carroça, o que eles carregam ai dentro? Ouro? -  Pergunta Jhon para Charles. 
Charles olha  pra Jhon, cutuca Bernard e diz: - Pobre garoto achou que ia fazer o que? Encontrar ladrões matar alguns e virar general? - Fala soltando uma gargalhada. 
Bernard com todo o mau humor de cinco horas andando com botas apertadas responde apenas: - Almirante, você quis dizer! Não existe General na marinha. - Responde e dá uma cuspida no chão lamacento.
- A você me entendeu! - Retruca Charles. 

Charles era um senhor de idade já, estava na casa dos 40 anos, seus motivos para entrar na expedição segundo o mesmo eram: - Morrer com um pouco mais de dignidade e deixar algum dinheiro para os filhos. Já Jhon era um garoto na casa dos 17 anos que mentiu sua idade para poder se alistar, seus motivos reais eram desconhecidos, mas ele garantia que queria deitar-se com todas as mulheres possíveis até sua morte. Bernard resolveu se aproximar dos dois por puro interesse, sabia que se ter amigos na tripulação poderia ser útil, afinal em uma situação de batalha os amigos são os primeiros a serem protegidos. 

- Pessoal vamos montar acampamento aqui, portanto quem não for ficar na guarda, descansem bem, pois antes do sol nascer iremos retornar, e com mais velocidade dessa vez seus molengas! - Urrava o Tenente Thomas Carvalhal.

O grupo fez uma fogueira, um grupo de cinco homens foi incumbido de sair para caçar enquanto o resto montava as barracas em volta da grande fogueira. A carroça ficava no meio do acampamento e era protegida por dois sargentos e cinco soldados que já estavam na marinha antes da chegada até Trivalia.

Durante a noite os homens enquanto comiam começaram a apostar em o que estaria dentro daquela carroça, alguns diziam ser a filha do governador, outros que seria o próprio governador e alguns juravam ter escutado latidos dentro da carroça enquanto montavam o acampamento. Logo depois de comer Bernard, Jhon, Charles, Bartolomeu e Michael ficaram incumbidos de vigiar o lado esquerdo do acampamento pelas próximas 2 horas, depois poderiam dormir que outro grupo pegaria seu lugar.

Michael por ironia do destino era o nome do troglodita que barrou a passagem de Bernard no dia das inscrições e o mesmo não olhava com bons olhos para Bernard e Bartolomeu era o loiro com cara de pirata que tinha avisado mais cedo que o Capitão Jhon Sates estava reunindo os homens. 

A primeira hora foi tranquila, porem enquanto Bernard, Jhon e Charles riam incontrolavelmente de uma piada contada por Charles, Bartolomeu aproxima-se do grupo e diz:
- Escutei algo na floresta, acho melhor avisar alguém e... - Foi quando Michael interrompeu.
- Que chamar alguém o que, ta com medo é franguinha? - Mal conseguiu terminar a frase e caiu de joelhos com sangue saindo da sua boca. 
Uma saraivada de flechas na direção do grupo que por sorte não atingiu ninguém além de Michael, talvez por estar em pé de costas para a floresta.  

Charles gritou assim que entendeu o que estava acontecendo: - Estamos sendo atacados! - E correu para procurar abrigo. 
Bernard atirou com seu mosquete na direção das arvores, tivera a impressão que as flechas foram disparadas de cima e afinal seria o que ele teria feito, pois teria a cobertura das folhas para esconder-se. Um corpo caiu. 
Bartolomeu escondeu-se atrás de um troco o qual estavam sentados e atirou na mesma direção derrubando mais um dos atacantes. 
Jhon em pânico deitou-se no chão e ficou gritando: - Que Kinph me ajude! Que Kinph me ajude!

Umas sete flechas perfuraram o tronco o qual Bartolomeu e Bernard estavam recarregando seus mosquetes e foi quando um grupo de uns 30 soldados avançou em direção a floresta, Bernard começou a berrar:
- Não avancem seus idiotas, estão fazendo exatamente o que eles querem. - E como resposta só foi possível escutar uma explosão e urros de dor vindo da direção e depois muitos passos na direção do acampamento. 

Os mosquetes estavam prontos, Bartolomeu e Bernard olharam para a confusão, vários marinheiros voltavam correndo, alguns sem braços, outros sem pernas, alguns se arrastando e outros sendo arrastados, todos foram abatidos por flechas que vinham das arvores. Mais dois tiros e novamente mais dois corpos. Neste momento mais um destacamento de soldados se aproximou dos dois atiradores, porem estes pararam com seus mosquetes prontos, apontaram para a direção da floresta e abriram fogo. Mais um grupo de inimigos abatidos, porem agora cascos de cavalos podiam ser ouvidos. 

Quinze cavaleiros irromperam da floresta enquanto o destacamento ainda carregava seus mosquetes, Bartolomeu e Bernard já estavam prontos para o próximo tiro. Bernard gritou:
- Atira nos cavalos da frente vamos tentar derrubar os outros com a queda dos abatidos! - E abriu fogo. 

Os dois cavaleiros que vinham na frente caíram derrubando mais quatro que vinham atrás e na confusão como um estalo em sua cabeça, Bernard se lembrou de Jhon na frente do tronco ele seria pisoteado. Bernard em um estalo levantou-se e agarrou os ombros de Jhon e puxou com força, neste momento sentiu que algo fez força contraria, ao olhar notou o que teria feito força, os cascos do cavalo de um atacante em cima da perna esquerda de Jhon, e por puro reflexo Bernard esquivou-se da espada que zuniu em direção a sua cabeça na passada do cavaleiro. Bernard correu até uma barraca e largou Jhon inconsciente lá, sacou seu sabre e ficou defendendo o local. 

Cinco baixas depois e um talho no braço esquerdo e a batalha estava acabada, a Marinha havia ganhado, os gritos dos feridos podiam ser ouvidos a quilômetros. Charles aproximou-se de Bernard que entrava na barraca onde estava Jhon enquanto gritava:
- Chame um médico aqui, urgente! - Porem Bernard sabia que já era  tarde de mais, a perna estava dilacerada, o sangramento seria imparável.  
Jhon estava acordado e respirando com dificuldades e murmurava algo. Bernard aproximou se para ouvir o que o garoto falava: 
- Não acredito que vou morrer virgem por causa de um cachorro. Se for um cachorro eu quero mais é que aquele navio queime!
Bernard com tristeza no coração soltou um sorriso forçado e disse: Não se preocupe amigo, você vai comer muita mulher nos salões de Orenon, afinal de contas, você é um marinheiro! - Disse e apertou a mão já sem vida do amigo. 

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