sábado, 31 de janeiro de 2015

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Preparativos


Bernard e Charles pegaram no corpo de Jhon as  3 moedas que o menino havia recebido no ato do alistamento pouco antes do corpo ser queimado. Charles ainda envergonhado por ter fugido não disse nada e Bernard apenas afirmou para deixar claro sua ação: - Vamos levar isso para a mãe de Jhon. - Fechou a cara novamente e virou as costas para preparar as coisas para partir.

O caminho de volta foi tranquilo, o silencio quase absoluto pairava o local e as únicas vozes ouvidas eram as ordens dos Sargentos que gritavam mandando os homens acelerarem o passo. O rosto dos soldados mostrava uma clara tristeza. Bernard sabia que aquilo significaria muitas deserções e pensou seriamente em desertar também, porem já havia vendido sua casa e não aguentaria viver mais tempo naquele local.

Quando chegaram a Trivalia o sol estava a pico e Bernard apesar de cansado e com fome não perdeu tempo e foi direto até Thurco. Enquanto aproximava-se da barraca notou uma mulher na casa dos 30 anos olhando as pessoas chegarem e achou ela estranhamente semelhante. Parou sua caminhada quando entendeu finalmente a semelhança e começou a dirigir-se até a mulher.

Ela olhou para ele desconfiada quando ele aproximou-se e disse: - Você viu meu filho Jhon, quero matar aquele peste, ele tem quase a sua altura e nenhuma barba no rosto, imagina meu pequeno Jhon sendo um marinheiro. - Soltou uma gargalhada. - Logo ele que não tem nada na cabeça e... - Foi quando ela notou a tristeza no rosto de Bernard. - O que foi aconteceu algo moço? - Perguntou agora séria.
Bernard respirou fundo e disse com cuidado para não parecer um iceberg: - Meus pêsames senhora, infelizmente seu filho foi... - Bernard parou quando a mulher já fazia sinal para começar a chorar, porem alguém tinha que falar, então reuniu forças e continuou. - Seu filho foi morto em batalha, eu sinto muito.
A mulher começou a chorar enquanto batia no peito de Bernard e gritava: - Vocês o mataram seus monstros! Primeiro meu pai! Depois meu marido! Agora meu filho! Seus Moooonstrooos! - E caiu de joelhos a chorar.
Pouco tempo depois um garoto correu até o local e falou: - Mamãe o que aconteceu? - Mas a mulher nada respondeu.
Bernard aproveitou a situação, puxou o menino pelo braço, lhe entregou as 3 moedas e disse: - Olhe garoto, você precisa ser forte, tem que cuidar da sua mãe e protegê-la, entendeu? - E olhou para o menino com cara séria, que sem entender direito fez que sim com a cabeça. - Essas moedas são pra vocês, agora leve sua mãe daqui. - Deu dois tapinhas nas costas do menino e continuou sem caminho até a barraca de Thurco após um suspiro longo.

Thurco o viu aproximar-se enquanto abria sua barraca e logo disse: - Olha meu amigo, infelizmente um dos cachorros morreu na viagem, pode ser apenas um? - Provavelmente ainda sem intender o interesse nos animais.
Bernard ainda pensando na estória da pobre mulher responde apenas com um: - Sem problema. - E força um sorriso.
Thurco entra na barraca, pega um saquinho, o pesa na frente de Bernard e entrega-lhe junto a uma corda no qual a outra posta esta amarrado um Dogue Alemão de mais ou menos 80 centímetros de altura.
Bernard olha para o cachorro com os olhos arregalados e diz: - Eu pedi um cachorro e não um cavalo.
Thurco da uma risada e diz: Mais alguma coisa pra você meu amigo?
Bernard puxa uma folha do bolso e entrega para Thurco e diz: Preciso dos itens desta lista para a minha viagem.
Thurco pega a lista, retira de um bolso do seu casaco um monóculo e começa a ler: - Bussola, Pederneira Isqueiro, Mapa de Elys... - Thurco da uma risada e continua. - Mapa de Elysia, onde acha que vou conseguir isso? O máximo que posso conseguir é o mapa do 5º circulo. - Bernard olha para baixo e faz sinal de sim com a cabeça e Thurco continua: - Cantil, Saco, Saco de Dormir, Mochila Grande, Saco de Pólvora Negra, Saco de Balas, Luneta e 20 metros de corda de seda.
Bernard sorri e diz: - Suponho que você tenha todos os itens, com exceção do Mapa de Elysia correto?
Thurco sorri e diz: - Sim, vão te custar vinte peças de prata e aquele cachorro que eu estava te devendo.
Bernard perde o sorriso larga o saco de moedas na bancada e puxa de seu alforje as 3 do pagamento da marinha e diz: - Espero que os itens estejam em boas condições.
Thurco solta uma gargalhada e diz: - Na barraca do Grande Osmar Thurco só do bom e do melhor!

Depois de pegar todos os itens, Bernard segue com seu cachorro até o navio que já começava a abarrotar de gente, na sua vez de entrar pergunta a um marinheiro que estava no local: - Sabe me dizer onde posso largar o meu cão? É um cão de caça pode ser útil na expedição.
O marinheiro olha com uma cara estranha para o cachorro e diz: - Fala com o Minotop ele é o responsável pelo porão. - E apontou para um homem velho que estava escorado na porta comendo uma maçã.

Bernard aproximou-se do senhor e disse: Sr. Minotop é isso?
O homem fez um grunhido e fez com que sim com a cabeça.
Bernard entregou a corda do cachorro e junto com a mesma uma moeda de prata para o homem e disse com um sorriso nos lábios: - O senhor pode guardar meu cão em um local seguro?
O velho sorriu e disse: - Claro que sim marinheiro, afinal é pra isso que eu sirvo, pegou a corda do cão e o conduziu para dentro da cabine.

Bernard virou e caminhou em direção ao parapeito, olhou em direção ao mar e notou que Charles estava se aproximando.
Charles sorriu brevemente e disse: - Então vamos ser marinheiros, é parece que vai ser divertido.
Bernard manteve a vista para a cidade que passou os últimos cinco anos e responde: - É parece que vai ser divertido sim.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Dama, Governador ou Cachorro?


Depois de cinco horas de caminhada quase sem pausas Bernard e o resto do seu destacamento chegam ao destino, uma carroça de conteúdo desconhecido pelos homens.

- Charles não acredito que toda essa merda de correria foi por causa de uma carroça, o que eles carregam ai dentro? Ouro? -  Pergunta Jhon para Charles. 
Charles olha  pra Jhon, cutuca Bernard e diz: - Pobre garoto achou que ia fazer o que? Encontrar ladrões matar alguns e virar general? - Fala soltando uma gargalhada. 
Bernard com todo o mau humor de cinco horas andando com botas apertadas responde apenas: - Almirante, você quis dizer! Não existe General na marinha. - Responde e dá uma cuspida no chão lamacento.
- A você me entendeu! - Retruca Charles. 

Charles era um senhor de idade já, estava na casa dos 40 anos, seus motivos para entrar na expedição segundo o mesmo eram: - Morrer com um pouco mais de dignidade e deixar algum dinheiro para os filhos. Já Jhon era um garoto na casa dos 17 anos que mentiu sua idade para poder se alistar, seus motivos reais eram desconhecidos, mas ele garantia que queria deitar-se com todas as mulheres possíveis até sua morte. Bernard resolveu se aproximar dos dois por puro interesse, sabia que se ter amigos na tripulação poderia ser útil, afinal em uma situação de batalha os amigos são os primeiros a serem protegidos. 

- Pessoal vamos montar acampamento aqui, portanto quem não for ficar na guarda, descansem bem, pois antes do sol nascer iremos retornar, e com mais velocidade dessa vez seus molengas! - Urrava o Tenente Thomas Carvalhal.

O grupo fez uma fogueira, um grupo de cinco homens foi incumbido de sair para caçar enquanto o resto montava as barracas em volta da grande fogueira. A carroça ficava no meio do acampamento e era protegida por dois sargentos e cinco soldados que já estavam na marinha antes da chegada até Trivalia.

Durante a noite os homens enquanto comiam começaram a apostar em o que estaria dentro daquela carroça, alguns diziam ser a filha do governador, outros que seria o próprio governador e alguns juravam ter escutado latidos dentro da carroça enquanto montavam o acampamento. Logo depois de comer Bernard, Jhon, Charles, Bartolomeu e Michael ficaram incumbidos de vigiar o lado esquerdo do acampamento pelas próximas 2 horas, depois poderiam dormir que outro grupo pegaria seu lugar.

Michael por ironia do destino era o nome do troglodita que barrou a passagem de Bernard no dia das inscrições e o mesmo não olhava com bons olhos para Bernard e Bartolomeu era o loiro com cara de pirata que tinha avisado mais cedo que o Capitão Jhon Sates estava reunindo os homens. 

A primeira hora foi tranquila, porem enquanto Bernard, Jhon e Charles riam incontrolavelmente de uma piada contada por Charles, Bartolomeu aproxima-se do grupo e diz:
- Escutei algo na floresta, acho melhor avisar alguém e... - Foi quando Michael interrompeu.
- Que chamar alguém o que, ta com medo é franguinha? - Mal conseguiu terminar a frase e caiu de joelhos com sangue saindo da sua boca. 
Uma saraivada de flechas na direção do grupo que por sorte não atingiu ninguém além de Michael, talvez por estar em pé de costas para a floresta.  

Charles gritou assim que entendeu o que estava acontecendo: - Estamos sendo atacados! - E correu para procurar abrigo. 
Bernard atirou com seu mosquete na direção das arvores, tivera a impressão que as flechas foram disparadas de cima e afinal seria o que ele teria feito, pois teria a cobertura das folhas para esconder-se. Um corpo caiu. 
Bartolomeu escondeu-se atrás de um troco o qual estavam sentados e atirou na mesma direção derrubando mais um dos atacantes. 
Jhon em pânico deitou-se no chão e ficou gritando: - Que Kinph me ajude! Que Kinph me ajude!

Umas sete flechas perfuraram o tronco o qual Bartolomeu e Bernard estavam recarregando seus mosquetes e foi quando um grupo de uns 30 soldados avançou em direção a floresta, Bernard começou a berrar:
- Não avancem seus idiotas, estão fazendo exatamente o que eles querem. - E como resposta só foi possível escutar uma explosão e urros de dor vindo da direção e depois muitos passos na direção do acampamento. 

Os mosquetes estavam prontos, Bartolomeu e Bernard olharam para a confusão, vários marinheiros voltavam correndo, alguns sem braços, outros sem pernas, alguns se arrastando e outros sendo arrastados, todos foram abatidos por flechas que vinham das arvores. Mais dois tiros e novamente mais dois corpos. Neste momento mais um destacamento de soldados se aproximou dos dois atiradores, porem estes pararam com seus mosquetes prontos, apontaram para a direção da floresta e abriram fogo. Mais um grupo de inimigos abatidos, porem agora cascos de cavalos podiam ser ouvidos. 

Quinze cavaleiros irromperam da floresta enquanto o destacamento ainda carregava seus mosquetes, Bartolomeu e Bernard já estavam prontos para o próximo tiro. Bernard gritou:
- Atira nos cavalos da frente vamos tentar derrubar os outros com a queda dos abatidos! - E abriu fogo. 

Os dois cavaleiros que vinham na frente caíram derrubando mais quatro que vinham atrás e na confusão como um estalo em sua cabeça, Bernard se lembrou de Jhon na frente do tronco ele seria pisoteado. Bernard em um estalo levantou-se e agarrou os ombros de Jhon e puxou com força, neste momento sentiu que algo fez força contraria, ao olhar notou o que teria feito força, os cascos do cavalo de um atacante em cima da perna esquerda de Jhon, e por puro reflexo Bernard esquivou-se da espada que zuniu em direção a sua cabeça na passada do cavaleiro. Bernard correu até uma barraca e largou Jhon inconsciente lá, sacou seu sabre e ficou defendendo o local. 

Cinco baixas depois e um talho no braço esquerdo e a batalha estava acabada, a Marinha havia ganhado, os gritos dos feridos podiam ser ouvidos a quilômetros. Charles aproximou-se de Bernard que entrava na barraca onde estava Jhon enquanto gritava:
- Chame um médico aqui, urgente! - Porem Bernard sabia que já era  tarde de mais, a perna estava dilacerada, o sangramento seria imparável.  
Jhon estava acordado e respirando com dificuldades e murmurava algo. Bernard aproximou se para ouvir o que o garoto falava: 
- Não acredito que vou morrer virgem por causa de um cachorro. Se for um cachorro eu quero mais é que aquele navio queime!
Bernard com tristeza no coração soltou um sorriso forçado e disse: Não se preocupe amigo, você vai comer muita mulher nos salões de Orenon, afinal de contas, você é um marinheiro! - Disse e apertou a mão já sem vida do amigo.